terça-feira, 3 de outubro de 2017

Não havendo Sol, há Lua

Damos início às comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE) 2017, sob o lema “Ligando Povos e Culturas”, publicando um texto gentilmente cedido por uma ex-aluna.

Não havendo Sol, há Lua

 Nasceste, e contigo nasceu o Sol. Foi um amor de primeira vista.
 Tudo te fascinava acerca dele: a luz que preenche os espaços entre as nuvens; os raios multidirecionais que iluminam tudo o que o teu olhar alcança; o jogo de reflexos que cria quando está por cima do mar; como se esgueira por entre as copas das árvores; as agradáveis sombras de verão; como se debruça no horizonte ao fim do dia.
 Apaixonas-te por tudo isto, por isso, só existe definição para "o sentido das coisas" se houver Sol.
 Durante o dia, havendo luz, o Sol perpetua-se em ti.
 Agora, depois de se despedir de ti e de todos, fica somente o rasto que deixou atrás. As tonalidades de rosa, alaranjado, lilás, violeta, que fazem as nuvens corar durante o "Adeus". Depois, todo o brilho se esbate, dando lugar ao principiar da Noite.

 Mostra-se a primeira estrela, a que indica o Norte, e tu, com o coração a gemer de saudade, desfeito em choro, anseias, desesperadamente, que o ciclo solar recomece, que o Dia nasça outra vez.

 Mas não! Cada coisa a seu Tempo! Agora tens de esperar... Tens de atravessar a noite.

 A escuridão começa a entranhar-se pelas ruas. Sentado na cómoda, do lado de fora do quarto - na varanda, com um cigarro aceso e um copo de moscatel no peitoril - observas quem passa, absorves os movimentos de quem leva uma vida lucífuga. Chamas-lhes Morcegos, porque só andam de noite, enquanto o resto da cidade se prepara para dormir.

 Sem dares por isso, começas a despertar um interesse incógnito nas danças das estrelas. Elas vão aparecendo, por ordem crescente - da maior à mais pequena.
 Formam-se figuras. Identificas a primeira. São 7 irmãs: Dubhe, Merak, Megrez, Alioth, Mizar e Alkaid.

 Emerge, por último, a Feiticeira, num mar de ínfimos pontos luminosos, o astro mãe da noite surge como um holofote que te encandeia.
 Num ímpeto de contrastes, entre a sombra e a luz, deslumbras-te por aquela que simbolizou a tua espera pelo Renascer do Dia.
 Mas, agora, à tua frente aparece suspensa, num tabuleiro de brilhos, o teu segundo amor - a Lua. Nada mais importa, tudo é efémero, comparado com esta visão sedutora que vai perdurando.

 A tua paixão precoce é tão sorrateira que, pé ante pé, se vai camuflando entre a névoa. Ela mente, é fatal, é mística... É a que controla as marés, os mares, os oceanos; a que comanda.

 Sem que o sono te perturbe, passas horas a admirar o teu novo quadro predileto.

 Mas, o tempo passa... E com ele vem, de novo, o despertar da cidade, o raiar do Dia.
 Foi este o momento por que tanto (des)esperavas, rapaz!

 Mas, mais um vez, o teu coração tornou a gemer, desta vez com mais força ainda. Soava a tortura, uma profunda infelicidade.
 Só desejavas a Lua, a Noite, as estrelas, os Morcegos.
 A tua infelicidade era tão imensa e tão visceral que, para te poupar a esse sofrimento, as mesmas nuvens que emolduraram a Lua, cobrem, nesse instante, o Sol, fazendo-o desaparecer.

 O dia tornou-se áspero, o vento rasgava as folhas das árvores, amachucava os jornais, desfazia os ninhos e alvoraçava cabelos. A turbulência, o caos, a desordem.
 As nuvens, inevitavelmente movidas de pena, deixam as lágrimas cair sobre a cidade.

 Nada disto te importa, só tens olhos para Ela, para a Lua. Quer-la mais do que tudo, por isso esperas e esperas e esperas...

 O ritmo tempestuoso abrandou quando o último raio de luz desapareceu.

 Paira uma calmaria perfumada na varanda de onde não sais faz dois dias. Sentes o pulsar do coração cada vez mais ativo, a inquietação toma conta de ti e só sossegas quando vislumbras, ao longe um brilho florescente que se destaca de todos os outros.
 No entanto algo parece estar errado...

 A forma geometricamente perfeita perdeu-se. A Lua perdeu um pedaço de si quando ascendeu ao céu noturno.

 Não foi por este corpo deformado que te apaixonaste.
 O Tudo perdeu o sentido do Todo. Adeus Sol, adeus Lua.

 Pára!! Vai dormir!! Quem Sol e Lua quer, Sol e Lua perde.

 Sol ou Lua, Sol e Lua, dois enigmas, um só mistério.


 Texto por: Ruana Lopes

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Palestra com a escritora Isabel Machado

Palestra com a escritora Isabel Machado, no dia 27 de abril, às 10h, na BE.
A atividade realizou-se no âmbito do Concurso Nacional de Leitura e Semana da Leitura.